quarta-feira, 6 de julho de 2011

Capitulo 04

Logo cedo, em folhas simples de uma página de jornal, em todos os portões das casas de todo o povo do país dos sapos, estava a notícia: “ Sodoma e Gomorra mais uma vez derrotadas pelo Bem – Super Toad defende sozinho o desmatamento de floresta nativa” – na matéria expuseram a importância das árvores  e as conseqüências catastróficas do desmatamento em todo mundo, e alfinetaram ao máximo o ego das majestades.
_ Você viu Pompilla o que a sua incompetência fez? Nós fomos expostas ao ridículo mais uma vez!
_ Esse jornaleco está muito mais interessante que este. – Mostraram a Pompilla suas fotos no jornal que Mag trabalhara.
_ Estamos cercadas por um bando de idiotas, vá até o jornal e chame Absalão urgente! – Então foi Pompilla e retornou com Absalão:
_ Você nos decepcionou Absalão... Estamos cobrando altíssimos impostos, há rumores de crise pelo mundo afora e você tem a capacidade de nos expor no seu jornal, mostrando nossas férias de março...
_ Logo a foto em que a minha maquiagem aparece borrada. – disse Gomorra lamentando-se pela foto e prosseguiu Sodoma:
_ Agora, veja esta matéria, um jornaleco feito em fundo de quintal, está muito melhor que o teu, patrocinado por nós... Vamos cortar os recursos, vamos cortar as suas gorjetas, vamos cortar tudo!!!
_ Mas as senhoras não me ordenaram colocar matérias fúteis no jornal?
_ Coloque a vida fútil de outras pessoas, não a nossa, sabe aquela foto em que aparecemos com crianças ao nosso redor?
_ Mas aquela foto já apareceu uma centena de vezes nas edições...
_ e prá que serve nossa tecnologia, mude a cor do vestido, a cor das crianças, puxe o olhinho de uma, encaracole o cabelinho de outra. Absalão, nós não queremos mais desculpas para uma barbaridade destas!
_ Sim senhoras... Podem deixar, hoje mesmo escrevo uma matéria sobre a infância sofrida de vossas Majestades... – E se arrumaram, e se enfeitaram com jóias e chamaram os guardas e acompanhantes para a passeata pela cidade e prepararam uma série de promessas, para mostrar ao povo que elas são as verdadeiras escolhidas para o governo do país dos sapos. Deram autógrafos, beijaram crianças na distribuição de doces, abraçaram comerciantes, garis, idosos, enfim e viajaram em comitiva pelo país, chegando a todos os lugares e é claro com direito a paradas para descanso, alimentação e etc. Assim o povo ficou entusiasmado com a aparição das maiores celebridades do país e enfraqueceram os corações e as mentes. E uma grande nuvem de dúvida entre o Livro Sagrado e o Livro de Safena surgiu em todos os lares. Muitas foram as discussões acerca da volta do Deus Iam e o testemunho dos seus seguidores.
_ Os Dimons falam no meu ouvido, que estamos no caminho certo. – No decorrer dos dias, Super Toad e todos os demais, lêem no jornal a maratona de Sodoma e Gomorra. Assim a luta para se manterem firmes no poder continuava. Mas elas apesar da credibilidade entre o povo ter aumentado, ainda não se conformaram. Então, decorridos alguns dias, elas retornam ao Castelo e ordenaram uma nova lei:
_ Três Capítulos por dia do Livro de Safena, cada criança terá que ler, e isto valerão nota na escola. Vamos trabalhar a médio e longo prazo. No futuro, estas crianças serão servos, pagarão os impostos que quisermos cobrar, vão se acostumar com a vidinha de sempre e não vão reclamar de nada! Vá Pompilla, entregue esta carta a todas as escolas. Os irmãos de Girl, resgatados por Super Toad, chegam até Gide e lhe dizem:
_ Agora temos que ler três capítulos por dia do livro de Safena, e serão feitas perguntas na prova e as respostas corretas, valerão notas.
_ Não, vocês não devem ler...
_ Mas nós vamos reprovar... – Gide ausentou-se e se achegou ao Deus Iam e lhe perguntou o que fazer:
_ Você dará a direção certa, não somente para os irmãos de Girl, como também para as demais crianças deste país. – E Gide passou um tempo pensando e naquele mesmo dia teve a seguinte idéia:
_ Deixar de estudar vocês jamais devem deixar, então pensem assim: cada pessoa tem a matéria que mais gosta e a que menos gosta, mas deve tirar boas notas em tudo. Dediquem-se ao máximo, inclusive na leitura desse livro, apenas se atentem para não deixar as ideologias bastardas entrarem no pequenino coração de vocês. - Então sabiamente, todas as crianças, instruídas pelos pequenos Jordan e Yisah, irmãos de Girl, liam o livro de Safena, apenas para tirar notas e depois que faziam a prova esqueciam-se de tudo. Assim, mais uma vez Sodoma e Gomorra, nem sabiam, mas já tinham sido derrotadas. Super Toad chega até Gide e lhe diz:
- Por que Deus Iam, não acaba com tudo isso! Depois que as rainhas deram um passeio pelo país, o povo não consegue ter forças para crer que Deus Iam não é uma lenda.
- E você, ainda crê? (Silêncio)
- Olá, colhi estas maças, já estão lavadas, vamos comer? – Disse Girl
- Toad está sem fome... – respondeu Gide
- Eu posso até estar sem fome, mas eu não resisto a uma tentação como esta...
- Então coma rapaz e continue falando para as pessoas, todas... Peça a Mag que lhe ajude, o jornal não pode parar. – disse Gide o encorajando a continuar.
- O que podemos fazer para impedir que essas malvadas continuem reinando?
- Não devemos parar, devemos lutar sem cessar. - Super Toad, estava triste e enfraquecido por falar, falar e o povo não o escutar... Continuavam pagando impostos absurdos, sofrendo represálias, perseguições, não conseguiam ter lazer e não tinham felicidade. Mas Sodoma e Gomorra sabiam, que ele não estava vencido e, portanto, não podiam parar. Ficaram sabendo que num outro país, havia um líder fortíssimo. O seu país era rico em tudo, e o mundo o respeitava, por onde este líder passava outros líderes até maiores do que ele diziam: “eis um verdadeiro líder”, e resolveram procurá-lo.
_ Pompilla, solicite ao escritor do palácio que aqui compareça. – Pompilla chamou Kadoshi.
_ Queremos que você escreva uma carta nem tão formal, nem tão informal para o Rei Estrela.
_ Majestades, ele não é Rei, ele é presidente, ele foi eleito pelo povo, ele é...
_ Chega rapaz, não precisa dar tantos detalhes da vida deste homem...
_ Ah, eu quero saber mais da vida dele sim, por exemplo, se ele é solteiro... – disse Gomorra.
_ Irmã, deixa disso, esse negócio de romance, paixão, amor... Isso me dá arrepio!
_ Mas o que as senhoras querem que eu escreva na carta?
_ Em primeiro lugar, que o admiramos, admiramos o povo do seu país, a hospitalidade com que recebem os estrangeiros e que gostaríamos de propor uma aliança que irá beneficiar a todos. – Assim fez Kadoshi e solicitou a Pompilla que enviasse a carta ao Presidente Estrela. Kadoshi avisou a Ishimura a respeito da carta e juntos foram até a casa de Gide, onde todos se reuniram para tentar descobrir o motivo.
_ Bem pessoal, nós não podemos ter medo, com certeza elas sabem que se derem um passo em falso elas perdem o poder sobre este povo, e estão planejando uma perseguição fulminante contra todos nós... Com a ajuda de um líder tão forte como o Presidente Estrela, elas podem dificultar e muito a nossa vida, mas elas podem vir com carros e cavalos, nós iremos com Deus Iam! – Assim, depois das palavras de Gide, todos se alegraram inclusive Super Toad. No castelo, as rainhas preparavam suas malas para a viagem e conversavam:
_ Irmã, esse Rei, deve ser mais linha dura que a gente. – Disse Gomorra
_ Com certeza, os impostos devem ser muito maiores que os nossos, a jornada de trabalho deve começar e terminar de noite.
_ O povo não deve ter tempo para nada...
_ Mas o povo precisa de tempo prá que? Esse negócio de dar muita colher de chá faz com que fiquem preguiçosos e trabalhem menos...
_ E começam procurar direitos onde não têm.
_ Depois desta visita, temos que mudar muitos conceitos nossos. – Três dias depois, as rainhas dirigem-se ao país do Presidente Estrela. Chegando ao país, verificam as belas paisagens, os pastos enormes para criação de gados, a vegetação nativa, os animais extintos do seu país, correm pelos campos e florestas, até o ar puro daquele país as impressionam. Ao chegar à cidade principal do país, elas são levadas até a mansão presidencial e são calorosamente recepcionadas pelos empregados; e observaram as vestes de todos, e como se comportavam e a alegria dos seus rostos. E Gomorra cochichou para Sodoma:
_ Para estarem tão bem vestidas, só podem ser concubinas dele.
_ E os homens são o que então...
_ Sodoma e Gomorra , prazer recebê-las em minha casa! – Assim o Presidente Estrela as recebeu em sua casa e elas lhe responderam como normalmente se cumprimenta um rei, inclinando o corpo para baixo, como expressão da superioridade que exerce uma majestade, mas ele não acostumado com tal gesto lhes disse:
_ Deixem disso... – O Presidente Estrela, sentiu-se um tanto incomodado, mas acreditou que aquele cumprimento fosse um simples costume do país dos sapos.
_ Não poderíamos deixar de cumprimentá-lo de outra forma, senhor nosso rei...
_ Em nosso país só existe um Rei, e que não sou eu... Fui escolhido pelo povo... Por isso sou Presidente!
_ Nós também, mas o próprio povo nos elegeu como rainhas e então por isso, vivemos num castelo... - e Sodoma, cortou Gomorra com um beliscão disfarçado dizendo com o canto da boca, em cochichos:
_ Não fale do Castelo!
_... Um castelo muito simples! – O Presidente Estrela sentiu algo estranho naquele primeiro encontro, mas preferiu conhecê-las melhor antes de julgar.
_ Vamos entrando, e me contem como é o país dos sapos. – Sodoma e Gomorra, ficaram um pouco desajeitadas para falar com um homem tão poderoso como o Presidente Estrela. Um homem simples, de voz popular, jeito de pessoa normal. Acreditavam que iriam encontrar um líder com olhar altivo, arrogante pelo poder que estava em suas mãos. Já que falaram, falaram, mas nada disseram a respeito do país dos Sapos, ele mostrou o mapa de seu país, e como cuidava da natureza, dos animais, dos rebanhos, das plantações... Mostrou-lhes as leis que regiam o seu país e como fazia para o povo obedecer:
_ Tem uns engraçadinhos, que tentam tirar de quem tem menos e dizem: para que dar comida, para que dar leite, para que construir casas... eu penso: “A gente tem que dar o peixe e ensinar a assar”.
_ Parece que eu já ouvi esta frase...
_ Você já ouviu dizer assim: “não dê o peixe, mas ensine a pescar”, só que quem dizia isso, comprava todos os rios e colocava uma placa dizendo: proibido pescar.
_ O senhor dá comida para o seu povo? – perguntou Gomorra, boquiaberta e Sodoma novamente tomou a frente dizendo:
_ Ela está admirada, porque ela achava que era somente a gente que fazia isso!
_ Claro, que sim... Minha irmãzinha!
_ Eu não tive oportunidades, nem quando criança, nem quando adulto, sofri muito em minha vida... Acho que é por isso que tento poupar ao máximo o sofrimento do meu povo... Minha riqueza é ver meu povo saudável, minhas crianças estudando, meus jovens planejando e acreditando no seu futuro pessoal. – E continuou:
_ Eu não penso em construir bombas, eu procuro a justiça! – Assim Sodoma e Gomorra se espantaram com o Presidente Estrela que ainda continuou:
_ Quero saber mais sobre o seu país, quero saber como é o ensino, como anda a saúde, a preservação da natureza. – E Gomorra olhou para Sodoma e lhe disse:
_ Fale você irmã.
_ Nosso país e muito lucrativo... Quero dizer, muito próspero, o povo é feliz, nós temos nossas próprias leis e o povo as segue sem reclamar. – E arriscou Gomorra:
_ Nas Escolas as crianças estudam os estatutos do nosso país... – As rainhas ficaram com os pensamentos dispersos por um  momento, e começaram a lembrar de Pompilla e dos demais servos, do povo trabalhando, e dos arrecadadores de impostos, que todos os dias passavam para recolher de cada família os tributos e já não tinham mais o que inventar, nem o que dizer, pois nada sabiam a respeito do seu país, não tinham nada o que dizer a respeito de planos colocados em prática para o benefício de todos, pois o seu povo não tinha direitos, apenas deveres, assim dizia o livro de Safena. E reconheceram que cometeram o pior erro de suas vidas: visitar o Presidente Estrela; este as convidou para um breve passeio em seu país e lá foram elas e viram o alvoroço das pessoas para chegar perto dele, abraçá-lo e agradecê-lo; todo o povo o aplaudia e o homenageava por onde passasse. Ao retornarem do passeio e entrarem nos seus aposentos, iniciaram uma conversa:
_ Irmã, nunca pensei que um país tão poderoso, recolhesse tão pouco imposto – disse Gomorra
_ Nem pense em diminuir os impostos, os Dimons não vão gostar... Temos que juntar muito dinheiro para a vinda da besta... E ainda não podemos ficar sem os nossos direitos e privilégios de rainhas – disse isso se referindo aos muitos empregados, viagens, jóias e demais gastos com o dinheiro dos impostos. – Enquanto isso nos país dos Sapos, as pessoas já nem tocavam mais no assunto de qualquer escândalo envolvendo as rainhas. Super Toad estava triste, muito desanimado, chamou pelo Deus Iam e este não lhe respondeu, no fundo, estava ele acreditando que Sodoma e Gomorra juntariam um exército fortíssimo com o Presidente Estrela, com o objetivo de reprimir o povo e principalmente aqueles que se rebeleram e temeu. Mag, Ishimura, Kadoshi e Davi, retornaram para o porão e discutiam a próxima matéria do jornal:
_ Que tal: “enquanto vocês trabalham, elas viajam”. - Disse Mag
_ Ou então: “um país nem às moscas” – Disse Davi
_ Pessoal, independente de qual for o título da matéria, não podemos deixar de alertar os sapos, dos seus direitos... – Disse Ishimura
_ Então porque não divulgamos quanto se arrecada em nosso país por dia e no que é utilizado o dinheiro. – Disse Mag. – No país dos Sapos, ninguém tinha noção do que era cobrar de um representante do povo a boa administração do dinheiro público, aliás, alguns sapos do povo achavam normal os pagamentos feitos todos os dias. Outros sapos que tinham algum comércio seguiam o exemplo de suas rainhas: os trabalhadores tinham hora para chegar, mas não tinham para sair, nada recebiam por seus trabalhos extras, quando tinham algum problema eram chamados de incompetentes, irresponsáveis, e estes seguidores das rainhas ainda diziam ao seu trabalhador que porventura faltasse: “Por que você ficou com seu filho doente em pleno dia de trabalho, por que você não pediu para alguém cuidar dele?”. Eles não se importavam com nada, pois estavam convictos de que agindo assim, iriam ter mais lucros e menos despesas, também se sentiam cheios de razão, pois bem ou mal, estavam pagando pelo trabalho muito exigido e pouco remunerado. Assim, enquanto alguns gozavam a boa vida, outros nem sabiam o que era vida, por isso, estes sapos não queriam que as rainhas saíssem do poder, pois as leis contidas no Livro de Safena contribuíam para a escravidão que levava o nome de “trabalho remunerado”. Mas existiam outros, que se indignavam com qualquer tipo de exploração seja ela remunerada ou não, ainda que com dificuldades, faziam questão de ajudar aqueles que os faziam crescer. – Mag, escolhera um bom tema para o jornal, pois divulgar as leis que deveriam existir no país, era uma forma de encorajar o povo a clamar por mudanças. Enquanto isso, Deus Iam, deixou o céu cinza, chuvoso e Gide pode entender a mensagem: Ele estava triste com Super Toad. Será que Toad deixou de acreditar? Sozinho, caminhou até o monte e ali ficou embaixo de uma grande pedra e acendeu uma fogueira e disse: eu só saio daqui se o Senhor falar comigo – e gritou: - Deus Iam! Deus Iam! Todavia Ele não lhe apareceu. Assim o Super Herói ficou ainda mais triste e desolado e os dimons, começaram a falar bem baixinho em seu ouvido: Deus Iam é uma lenda, Ele não existe, tudo o que aconteceu até agora é normal, qualquer um pode voar! E Toad rebatia: Se o mal existe, então o bem também existe e este bem se chama Deus Iam! - E os dimons  continuaram: Elas são poderosas, você está sozinho, você não conseguirá vencê-las! – E Toad  relutava: Eu posso até estar caído, mas não estou só, meu Deus Iam é mais forte do que eu, Ele está aqui, Ele está aqui, Ele está aqui, Ele está aqui... Assim os dimons não suportaram estas palavras ditas com tanta força interior que desapareceram como fumaça e o Deus Iam surgiu como se o sol estivesse se aproximado da terra e uma grande voz surgiu e disse ao nosso Herói: Continue! E subiu aos céus e tudo ficou claro e a chuva cessou. Então Super Toad se levantou e foi direto ao porão.

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